terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Jornalismo? Mas, por quê?


“Jornalismo? Mas por que não tenta uma área que dê mais dinheiro ou que pelo menos seja mais importante?”. Cansada de responder quase sempre a mesma pergunta, comecei a ficar com certo receio em falar sobre minha escolha profissional com quem não tivesse um mínimo de clareza a respeito do que é o jornalismo de verdade.

Acostumadas a ver entretenimento televisivo falsamente anunciado como produto de cunho jornalístico, muitas pessoas chegaram a questionar se meu interesse era o de apresentar programas como aqueles que especulam a vida dos artistas.

Não raras vezes, também fui indagada por quem achava que minha pretensão, a exemplo de milhares de estudantes de jornalismo, era a de ser a próxima Fátima Bernardes - com direito a ter o William Bonner do lado, uma equipe à minha disposição o tempo todo, cabelo escovado 30 dias ao mês e aquela maquiagem que esconde até ‘defeitos de nascença’.

E como isso me deixava irritada! “Não. Não quero fazer esse curso por estrelismo, mas por idealismo. Sabe o que significa? Muito provavelmente não tem nem idéia do que isso seja!”. É... as respostas tendiam a ficar cada vez menos elegantes e o meu semblante também. Até que comecei a entender o porquê do conceito de tanta gente estar errado em relação ao jornalismo.

Nos primeiros meses de faculdade a sala de aula tinha um número razoável de alunos. Número esse que foi decaindo ao decorrer do curso. Por quê? Grande parte das desistências aconteceu por desilusão com o que acreditavam ser o jornalismo. Muitos realmente pensavam que bastavam quatro anos de mamata para depois pegarem o diploma e serem contratados pela Globo. Quando os professores começaram a mostrar uma realidade pouco menos glamourosa, a turma foi ficando drasticamente reduzida.

E eu, que não tinha a mínima ambição de minimizar o jornalismo a uma ponte para a TV, achava engraçado o fato de tanta gente estar disposta a fazer o curso sem ter o mínimo gosto pela escrita. Tudo bem que a área é bastante ampla e não se limita a redações onde a matéria-prima é, inevitavelmente, o texto. Mas passar 48 meses aprendendo técnicas de linguagem, tendo aulas de língua-portuguesa e sendo rigidamente avaliados quanto a construção e coerência textual sem nem ao menos gostar de escrever, do meu ponto de vista, parecia suicídio.

As aulas costumavam ser um pouco entediantes no início. Muita teoria, nada de prática. Mesmo sabendo que ainda havia muito o que aprender, a minha falta de desenvoltura e vagarosidade para expressar idéias textualmente chegou a me fazer pensar em desistir do curso. Não achava as palavras, a escrita não acompanhava o raciocínio e não conseguia encontrar com facilidade as respostas para o lead – o trio de ‘nãos’ por diversas vezes causou insônia e desespero.
Cheguei a conversar com uma professora sobre o assunto. Fui sincera e disse que estava em dúvida sobre existir uma vocação ou não para o jornalismo e ressaltei que me sentia incapaz de elaborar um texto digno de leitura.

Honestamente, escolhi justo a professora mais severa e exigente para me aconselhar. Acabei ficando emocionada – chorando um rio de lágrimas alternado com intensos soluços - enquanto falava com ela, que mantinha um olhar compenetrado e analítico em minha direção. Sua voz intimidadora e austera parecia não estar ainda bem direcionada com uma idéia coesa para sair pela boca. Quanto mais eu aprofundava a questão, maior era minha vontade de sair correndo e gritando: “eu desisto!”, já que, até então, nenhuma palavra de otimismo havia confrontado minhas incertezas.

Na verdade, acredito que eu já tinha em mente quais seriam os conselhos da professora. Não que ela fosse alguém previsível – muito pelo contrário- mas, sendo uma educadora, daria um jeito de me incentivar a prosseguir na faculdade, mesmo que em outra área. Depois de eternos 15 minutos, finalmente comecei ouvir a opinião dela sobre o assunto.

Suas palavras, quase sempre objetivas e dotadas de um certo ar de credibilidade, dessa vez me doeram como um pontapé: “não vou dizer que você tem um texto excelente, mas também não posso afirmar que é ruim. Às vezes, a técnica é tão importante quanto a vocação. Persista em aprender a técnica, se não conseguir, procure seu caminho”. Ai! Como eu desejei voltar no tempo... Balancei a cabeça - num sinal de ‘entendo’, agradeci a atenção e saí em uma verdadeira erupção de pensamentos.

Hoje parece engraçado, mas lembro que no dia fiquei muito envergonhada e, mesmo sabendo que estávamos a sós, tive a impressão de que minha ‘crise profissional’ chegaria – indesejavelmente - aos ouvidos de outros professores e quem sabe até colegas de classe.

Curiosamente, o que de início soou como um atestado de que eu devia desistir – já que a meu ver ela foi apenas educada ao dizer que meu texto não era ruim- acabou virando um estímulo para que eu explorasse minha capacidade. Isso devido a minha consciente facilidade em tomar dificuldades como desafios, além da mania de, mentalmente, desvirtuar palavras a meu favor.

Aquele lema de que as conquistas precisam de “1% de inspiração e 99% de transpiração” começou a despertar meu instinto de foca e eu me comprometi – comigo mesma- a pelo menos tentar um estágio ou algum trabalho na área para testar se eu conseguiria ou não dar conta de todos os quesitos aos quais um jornalista deve preencher.

Por falta de um, agora me vejo com dupla responsabilidade. Dois estágios e uma missão: produzir com rapidez, qualidade e em quantidade. Embora eu, quase sempre, ainda me sinta um tanto quanto “crua” entre os tantos profissionais com quem diariamente sou obrigada a conviver, a experiência tem sido bastante proveitosa. E deixando a modéstia um pouco de lado, ninguém contrata estagiário por dó ou assistencialismo. Agora em dezembro faz seis meses que deixei de ver os tão odiados números do setor financeiro para vislumbrar o encantador mundo das palavras, na redação.

Nem todos os dias são maravilhosos e cheios de momentos positivos e agradáveis de noticiar – até porque as notícias trágicas são as de maior repercussão – contudo, perceber como é importante transmitir informações sérias e relevantes, que verdadeiramente interferem na vida das pessoas, recompensa toda a correria. Correria essa que transforma cada dia em uma maratona, mas traduz o sentimento maior que é estar em meio turbilhão de acontecimentos retratando tudo aquilo que o público precisa saber.

Podemos - e devemos - aprender na faculdade as mais inovadoras e dinâmicas técnicas de lead, estrutura e finalização de texto. Absorver todo o conhecimento e buscar todas as formas de aprendizado possíveis. Ainda assim, o reconhecimento do jornalismo como instrumento fundamental de reivindicação popular e social – mesmo com todas as distorções do meio - é algo que em lugar nenhum se ensina. Levo comigo que ser jornalista é, acima de tudo, ser humano e não permitir que o dia-a-dia mude isso.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

“Literalismo jornalístico”


Donde surgiu mesmo essa idéia de escrever detalhadamente, e com mais emoção, sem muito se preocupar com aquelas benditas perguntinhas do lead jornalístico? Do jornalismo literário! Essa miscelânea entre texto jornalístico e literário, pelo que vejo, é muito apreciada pelos universitários de comunicação social que, após os primeiros anos de faculdade, quando o lead nos é apresentado como um verdadeiro herói, descobrem e vêem com otimismo essa nova possibilidade de criação textual capaz de comportar o potencial criativo normalmente reprimido pela objetividade.

A aceitação do jornalismo literário vem se mostrando tão intensa que a revista da Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação) realizou uma pesquisa entre leitores para documentar o fato. Para tanto, a mesma notícia foi exibida de quatro diferentes formas. Questionados sobre qual daqueles textos eles mais gostaram, os leitores elegeram o Jornalismo Literário como o melhor e, por último, o lead.

Jornalistas-escritores como Gay Talese, Norman Mailer, Truman Capote, Marcos Faerman, José Hamilton Ribeiro e Roberto Freire são freqüentemente analisados e comentados durante as aulas desse estilo. Uma pena que eu não tenha comparecido em todas as aulas para ser mais ‘entendida’ sobre o assunto! Poxa... estágio e hora certa de expediente estão sempre em contradição. Que culpa tenho eu se a faculdade pede estágio e o estágio pede produção?! Tá certo, confesso que essa operária da informação ainda é um tanto quanto vagarosa para escrever uma notícia digna de ser lida, mas aquele velho mito de que estagiário sempre trabalha em dobro (e recebe em terço), e faz tudo que os mais experientes não gostam, agora é uma filosofia de vida para mim, que trabalho até às 18h30 e sempre chego atrasada na facul. Podiam ser mais compreensivos, diminuir as horas de escravidão... quer dizer... de estágio. Ops, sem lamúrias!

Voltando ao assunto, o jornalismo literário é fácil de ser compreendido, contudo, mais complexo de ser executado. A subjetividade, quando usada sem um certo equilíbrio, pode deixar o texto com um ar ‘opinativo rabujento’, aquele que é porque é e acabou, sem argumentos, sem sustentação lógica. O excesso de detalhes sem relevância ou de ‘floreamento’ do fato também pode comprometer a intenção do texto, sem contar que pode deixá-lo cansativo.

A professora Cláudia, que foi quem passou esses preceitos do jornalismo literário na faculdade, diz que atualmente a imprensa tende a ser pasteurizada. Os formatos jornalísticos tentam moldar os textos. Por isso, muitos jornalistas encontram no 'jornalismo literário' a possibilidade de realizar trabalhos de qualidade, com maior aprofundamento do tema e maior liberdade na produção de texto.

Ela sempre destaca que o estilo literário é um jornalismo em profundidade. “Permite observar detalhes, expressar sensações e sentimentos, porque há a imersão do autor na realidade e seu olhar sobre ela, o que chamamos de voz autoral. É um olhar mais intenso sobre o outro. Totalmente diferente do distanciamento proposto pelo jornalismo padrão: ‘É preciso haver distanciamento para que haja isenção’”.

Infelizmente, a mídia tende a não dar espaço para os textos literários. De que adianta escrever sem ter onde publicar? A professora consegue ver com um pouco mais de otimismo... “Ao mesmo tempo em que a mídia busca moldar o texto, há um certo esgotamento com esse estilo por parte de uma parcela do público leitor. Por isso, há demanda. Não é à toa que a revista Brasileiros é bem recebida. Um bom livro-reportagem vende”.

É, a nova geração de jornalistas é bastante flexível em relação aos estilos e parece compreender que certos fatos devem, obrigatoriamente, ser noticiados de acordo com os moldes do lead para não perderem o foco, enquanto outros podem ser menos engessados e ter um pouco mais de criatividade no uso das palavras. Mas e os “dinossauros” das redações? Aqueles jornalistas que estão há anos repetindo “o quê, quem, quando, como, onde e por quê” até na hora de dormir? Será que eles se interessam pelo estilo ou teriam facilidade para escrever assim?

“Creio que há uma certa dificuldade para os jornalistas que estão na mídia redigindo diariamente em texto padrão, o formato notícia. Às vezes a nossa percepção se torna um pouco formatada. Por isso, alguns sentem dificuldade em entrar no estilo literário, que requer mais calma, sensibilidade, imersão. Mas é possível desenvolver esse estilo, basta procurar por ele”. Mais uma vez as pertinentes palavras de Cláudia!

Sobre o interesse dos alunos pelo estilo, ela diz acreditar que redigir no estilo literário proporciona imersão, prazer, aprofundamento e relação de intensidade com o texto. “Creio que essa sensação provoca esse interesse. Há algo mais que o lead”.

Aproveitando as informações da professora, (nada como fechar o texto com um bom conselho dos mais experientes) quais seriam as dicas para os simpatizantes do estilo? “É preciso ler. Só conseguimos desenvolver um bom texto a partir de uma boa leitura. Além disso, é preciso escrever. É preciso exercitar e gostar”.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

EU









[Sobre a bloggueira
e seu universo]




Eu? Apenas uma simples garota...
Apenas uma garota simples e maravilhada com as infinitas descobertas de cada dia.

Outro dia descobri que a vida não é novela.
Todo mundo sabe ser mocinho, todo mundo tem um pouco de vilão.
Depende da sua dor, o que desperta.
Depende do que te alegra o coração.
E da situação inesperada que te espera,
já que as circunstâncias mudam o ritmo da canção.
Hipocrisia é pensar que a gente é o tempo todo ruim ou bom.

Dia outro, descobri o poder do som.
Não só da melodia ou da toada, mas da palavra.
A palavra dita com verdade e a verdade usada para o bem.
Essa descoberta me rendeu um sonho.
E o sonho uma ocupação.
Virei radialista de alma ...e de formação.

Pouco antes desse dia, entreguei-me a outra paixão.
Descobri no jornalismo mais que uma profissão.
Vi nele um caminho, um trajeto, uma forma de transformação.
Talvez idealismo em excesso, talvez pura ilusão.
Sei que apesar das altas doses de realidade cotidiana,
vejo nele um meio de reivindicação social,
um alicerce levantado através da informação.
Quem dera fosse sempre assim....
matéria escrita e, depois de lida, a mobilização.

Nesse mesmo tempo descobri o teatro mágico.
Da vida, da música e da poesia.
O teatro que permite a cada um ser protagonista,
personagem real de sua própria história.
E o teatro outro, que brinda o mundo com a imaginação.
Sou uma agora, mas no palco sou José, sou Sofia.
Posso brincar com minha dor e transformá-la em fantasia.

Ah... às vezes num só dia as descobertas são tantas, que têm o peso da vida [toda].

Motoboys e suas vidas loucas


Quem pode afirmar que nunca viu um motorista enfurecido, ou pelo menos irritado, por conta das manobras arriscadas de algum motoboy no trânsito de São Paulo?

Pergunta normalmente fácil de ser respondida numa cidade que emprega cerca de 300 mil office-boys e por onde trafega um número excessivo de carros nas principais vias de acesso.

Mais fácil ainda ao lembrarmos que congestionamento é sinônimo de stress. E se o stress, por si só, gera descontrole, imagine somado à grande demanda de motoqueiros que tentam agilizar seu serviço criando caminhos perigosos por entre os carros.

Vejamos o fato por um outro ângulo. Quem nunca ficou satisfeito ao receber uma saborosa pizza quentinha em sua casa dez minutos depois de ter feito o pedido? Ou, quem jamais precisou de um serviço rápido e com um custo acessível aos bolsos mais humildes?

A verdade é que a questão dos motoboys alcançou uma dimensão bem mais ampla do que a que estamos acostumados a discutir e a ver na imprensa. Mesmo com toda a gama de informações já divulgadas, ainda existem dados que são praticamente desconhecidos pela população brasileira.

O documentário Motoboys – Vida Loca, do diretor Caíto Ortiz, tenta ser mais pluralista ao abordar esse assunto explorando os personagens e suas histórias de vida, assim como as estatísticas que ilustram o quanto a profissão é perigosa.

Os 52 minutos do filme revelam ainda o cotidiano de cinco motoboys,-entre eles uma mulher- e, para por ainda mais ‘caldo’ na discussão, são ouvidas personalidades e autoridades relacionadas ao departamento de trânsito, assim como motoristas de carros comuns, de táxis e de ônibus, que falam sobre suas experiências.

Outras informações relevantes, como a da existência de um projeto que prevê a criação de uma faixa exclusiva para os motoboys na cidade, são exibidas ao telespectador com um certo ‘ar’ de exclusividade.
Vale a pena conferir!



terça-feira, 6 de novembro de 2007

Cadeirante pede iluminação e transporte adaptado





Leide Barroso de Souza tem 29 anos, é casada e mãe de um filho.

Bastante ativa, ela era operadora de telemarketing em Guarulhos quando viu sua rotina ser drasticamente alterada por conta de uma doença que, em 02 meses, a deixou paraplégica.

Leide é portadora de Miopatia, que é uma doença neuromuscular hereditária e congênita que causa fraqueza muscular, geralmente de gravidade variável.

Apesar das dificuldades que enfrenta, por morar num local bastante precário e inacessível, ela tem a esperança de que pode melhorar suas condições de vida.

Com planos de trabalhar e sobreviver do artesanato, atividade que ela já pratica através da confecção de crochês e panos de prato, Leide conta que a renda familiar é conquistada através de ‘bicos’ que seu marido faz. Ela e João são caseiros há mais de dez anos e residem no bairro dos Correas.

A casa onde eles moram fica num declínio tão acentuado que os veículos precisam parar na metade do morro que dá acesso ao seu lar. Dificilmente os carros conseguem subir a ladeira depois. Aliás, o único carro com o qual ela conta para se deslocar é a ambulância municipal. Ou seja, Leide só saí de casa quando precisa ir ao médico.

Duas vezes por semana Leide vai para a AACD, onde faz fisioterapia e hidroginástica. A ambulância chega e seu marido carrega morro acima os 99 kg, que são a soma do peso de Leide e o de sua cadeira de rodas. Uma de suas grandes dificuldades é justamente a de ser levada até o veículo.

No último domingo, dia 21, ela passou mal e, pela primeira vez, a solicitação de seu marido por uma ambulância não foi atendida. Leide reconhece que, apesar do atendimento telefônico não ser dos mais simpáticos, ela vê o esforço do motorista e de algumas outras pessoas que tentam ajudá-la.

Com o intuito de reivindicar melhorias para os deficientes físicos da cidade e para os moradores do bairro dos Correas, Leide procurou a estagiária [que vos narra] e expôs sua história para ilustrar como é o cotidiano de uma pessoa portadora de necessidades especiais.

Em uma carta, que ainda não foi destinada, ela desabafa o quanto é difícil lidar com a falta de acessibilidade e com a intolerância dos condutores de veículos que a desrespeitam por conta da vagarosidade do seu deslocamento nas ruas.

“Quero ter o direito de ir e vir, mas aqui não há transporte adaptado para os deficientes. Ando disputando lugar com os carros, as calçadas não tem condições e os motoristas buzinam muito e freiam em cima da cadeira, uma total falta de respeito. Peço também uma atenção especial ao Pronto Socorro Municipal, que ainda não conta com banheiros adaptados. Assim como eu, outras pessoas podem se sentir constrangidas ao não poderem adentrar em um banheiro público” .

Na carta, Leide também cita a iluminação pública do bairro. Ela diz que à noite não há segurança alguma e os moradores ficam temerosos em razão da falta de iluminação.

“Sei de um programa de implantação de serviços de iluminação, mas até hoje não tivemos novidades por aqui e ainda não sabemos se nosso bairro está incluso nesse projeto”, afirmou.

Leide conta que recebe ajuda do Assistência Social e que algumas pessoas demonstraram boa vontade em ampará-la. “Ainda preciso de ajuda para melhorar minhas condições. Quero construir minha casinha na parte de cima do terreno, mas não tenho como bancar o material de construção”.

Ela explica que só o fato de poder observar o movimento da rua, da parte de cima do local onde mora, já a deixaria mais contente.

Apesar dos médicos diagnosticarem que seu quadro é irreversível, Leide afirma categoricamente que vai superar o problema.
“Faz apenas dois anos que estou nesse estado. Tudo ainda é recente para mim, mas minha fé me mantém esperançosa. Ontem consegui dar três passos com o auxílio do meu marido e sei que, mesmo com o que os médicos dizem, sou capaz de voltar a andar. Tenho muitos planos pela frente”, declara Leide, minutos antes de mostrar os panos de prato que está tentando comercializar.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Mulher é estuprada próximo à passarela da Dutra

A notícia...

Ao atravessar uma passarela próximo ao km. 203, na Rodovia Presidente Dutra, M. M. F.B., de 32 anos, foi surpreendida por um homem que anunciou o assalto. Ele a levou perto de uma ribanceira e adentrou em um matagal, onde subtraiu da vítima sua carteira, os documentos, a quantia de R$ 26,00 e um celular Motorola.
Após ameaçá-la de morte, ele disse que “ainda não tinha terminado”. O acusado obrigou que M. M. F.B deitasse no solo e praticou o estupro. O desconhecido ordenou que vítima permanecesse no lugar por mais dez minutos para que ele fugisse do local. Ele ameaçou matá-la caso esboçasse qualquer reação e depois fugiu.
A vítima foi ao Pronto Socorro onde foi medicada e posteriormente liberada. Ela e sua família foram ao DP, onde o escrivão elaborou o boletim de ocorrência. A vítima informou que o estuprador é magro, tem a pele parda e cabelo curto.


A reflexão ...

Tem dias em que não há refúgio e nem poesia
Não há alívio e nem alegria
Nem mesmo a paz das melodias

Tudo reflete hipocrisia,
Descontrole,
Mesquinharia.

A maldade que assusta,
a ganância que acusa
e a vida cada dia mais injusta

O bem se perde,
o bom desfalece,
e a podridão prossegue...

Teu idealismo perde a crença.

Começas a enxergar com indiferança
e deixas de ter fé na benevolência.


Primitivismo, pensamento político, despreparo e vício.

Melhor encerrar antes que sem mim se encerre.

Meu ideal é minha prece...




quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Cotidiano: a notícia não espera (cont. da entrevista)


Trabalhar na editoria de cotidiano não foi exatamente uma opção para Darwin. As redações pequenas exigem que o jornalista seja uma espécie de “clínico geral”, cobrindo tudo o que acontece e dando prioridade para os fatos novos. Ou seja, as notícias do cotidiano são, quase sempre, o filé do jornalismo regional.


Os problemas da comunidade local acabam se tornando a pauta mais importante do impresso, porque a população dialoga com as autoridades através do jornal, fazendo dele um salutar instrumento de reivindicação social. Expondo seus problemas na mídia, o povo consegue conquistar a atenção dos órgãos competentes, assim como dos ilustres políticos. Talvez isso, diz Darwin, seja reflexo da dificuldade que as pessoas encontram para conversar com os representantes do poder público. Elas vêem autoridades inacessíveis e logo recorrem aos jornalistas, sempre sedentos por informação.


Diante disso, perguntei a Darwin: - Se ambos, jornalista e comunidade, são beneficiados com a situação, há algum problema nisso?


- Certamente não, diz ele, com uma expressão de quem está refletindo interiormente. Não, desde que o jornalista saiba cumprir com seu papel sem usar de elementos que ferem a ética, como o sensacionalismo, completa Darwin. Fatos cotidianos são sim impactantes, mas a notícia muitas vezes é transformada em espetáculo. Isso empobrece drasticamente a classe profissional e os veículos.


Ele diz ainda que, na maioria dos casos, o cotidiano do jornalista acaba se confundindo com o cotidiano da cidade ou região em que ele trabalha. É difícil dar uma noticia negativa, por exemplo, sem ficar impactado ou constrangido. Darwin diz que na área de cotidiano, em que é preciso lidar com crimes, acidentes, histórias pitorescas e situações comovedoras, o maior desafio do jornalista é justamente o de manter uma postura racional diante de um turbilhão de sentimentos, fatos e possibilidades.


- São tantas coisas, acontecendo ao mesmo tempo, que, às vezes, você se sente no olho do furacão. É uma grande dificuldade chegar em casa e ‘desligar’, ou seja, parar de pensar em tudo que você fez e ainda tem que fazer. Se você vai fundo numa história, acaba fazendo parte dela, compartilhando os mesmos sentimentos dos seus protagonistas, a mesma ansiedade. A razão é a única coisa que te prende ao chão.


Darwin acredita que é possível fazer uma analogia entre o trabalho do jornalista e de um detetive. Para eles, a vida é uma constante mudança. Ambos dormem e acordam com nomes, dados e rostos que, num primeiro momento, parecem estranhos, mas que com o tempo formam um mosaico que pode revelar muitas coisas. Ao jornalista cabe encaixar as peças sem, contudo, interferir no quebra-cabeça.


- O jornalista é o historiador do presente, alguém que busca respostas ontem para informar amanhã. Poucas pessoas conseguem imaginar nossos dias. Eu, por exemplo, posso começar meu dia numa programação cultural no aniversário da cidade e terminar cobrindo algum acidente na Mogi-Dutra. Mas não podemos fugir. Em certos casos todo mundo pode fugir, mas o jornalista tem que ir. Como tem que ir o perito do IML, o padre ou o detetive. Um perícia, o outro consola, aquele investiga e o jornalista publica.


O celular toca e ele, com um olhar de impaciência, diz que precisa ir embora.

- Melhor ir logo, a gente nunca sabe o que vai acontecer. A notícia não espera.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Doze Minutos, início da entrevista




Doze minutos. Após uma semana inteira planejando aquela que seria uma das entrevistas mais interessantes dos últimos tempos, pelo menos para mim, consegui a façanha de me atrasar em doze minutos para o encontro com Darwin.

Normalmente os entrevistados, principalmente quando mais experientes, não são tão compreensivos com as pequenas falhas de um pretenso jornalista. Mas neste caso o entrevistado conhece bem a rotina imprevisível e repleta de acasos a que está submetido um operário da informação. Por outro lado, além de jornalista, Darwin Moreira é editor. Cada minuto é um acontecimento e eu o fiz perder doze.

Chegando ao Shopping de Mogi, também me perturba o fato de não saber o que fazer com o guarda-chuva que carrego nas mãos e isso começa a me incomodar. O tempo estava nublado, como diria o metereologista, propenso à pancadas de chuva. Mas a chuva não veio e lá estava eu com um enorme guarda-chuva procurando o Café do Ponto, onde deveríamos nos encontrar.

Um casal, dois senhores e uma mulher com uma criança. Nenhuma dessas pessoas parecia com Darwin. Por um momento pensei que meu atraso tinha arruinado a entrevista. Meus olhos angustiados percorreram o longo corredor que levava à entrada do shopping. Foram cinco minutos especulando o que teria acontecido e observando atentamente a entrada e saída de pessoas estranhas. Quinze minutos e nada. E agora Nadja? Como fazer uma entrevista sem o entrevistado?

Olho para o celular e penso em ir embora. Já se foram vinte minutos. Eis que, no meio de tanta gente, o senhor de cabelos grisalhos chama minha atenção. É Darwin que, com um olhar apressado e um sorriso entreaberto, caminha em minha direção. Ao se aproximar, vejo que ele também carrega um notável guarda-chuva.

- Não era para estar chovendo? Pergunta ele, enquanto puxa uma cadeira para sentar. Objetivo, ele quer saber exatamente qual é o assunto da entrevista. Estranho, diz ele, é a primeira vez que eu sou a pauta. A primeira pergunta é sobre como surgiu seu interesse pelo jornalismo. Darwin se inclina levemente da cadeira para responder. Com um tom mais grave e alto, ele parece querer compartilhar sua história com os demais clientes da cafeteira. O começo da paixão tem nome e data. No dia 30 de outubro de 1938 o radialista Orson Welles anuncia que marcianos estão invadindo a Terra.

- Quando soube dessa história maluca, pouco tempo depois, fiquei impactado com o poder da mídia. Foi uma notícia fantasiosa que, dita com um ar de seriedade, se espalhou por todos os cantos e fez com que as pessoas parassem suas atividades cotidianas e se preocupassem com os últimos minutos de vida. Pensei comigo, se uma notícia irreal consegue influenciar e causar todo esse choque, imagine como não seria uma informação verdadeira e realmente relevante para as pessoas. Passei a perceber o quanto estamos ligados e dependentes da informação.

Formado pela PUC (Pontifícia Universidade Católica), Darwin lembra com nostalgia os tempos da faculdade. Além das vertentes do jornalismo, as aulas tratavam de questões políticas, sociais e tantos outros temas que o fascinavam.

- Com o tempo a gente perde um pouco todo aquele ‘idealismo juvenil’, mas ainda sinto paixão pela profissão e sei que não estaria realizado em qualquer outra área. Ele acrescenta que depois de formado, sua ida de São Paulo para Mogi das Cruzes proporcionou um bem quase sempre inalcançável pela maioria dos jornalistas. Darwin conseguiu aliar a correria de uma redação de jornal com o tempo para cuidar da casa e da família.

Há 23 anos no Diário de Mogi, ele acredita que os jornais de São Paulo exigem uma dedicação quase que integral à profissão, fato que o motivou a procurar uma cidade um pouco menos turbulenta para trabalhar.

A entrevista continua.....

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Desvios

Campanha Anti Rábica 2007 vacina
mais de 12.000 cães contra a raiva

Em entrevista com o responsável pela campanha, que é o diretor do setor de zoonose da cidade, o assunto tratado trouxe à tona mais do que as simples estatísticas e informações sobre os resultados da campanha.
Sim, cães e gatos foram devidamente vacinados. Uma equipe de estudantes de veterinária aplicou, vonluntariamente, as doses nos animais. Em meio a movimentação de bichos e pessoas, nenhum incidente ocorreu.
O que há de interessante nas palavras do entrevistado então?
Um inusitado pedido, transformado em desabafo:

-- Será que a srta. não pode me fazer o favor de divulgar o nome dos estabelecimentos que contribuíram para a confraternização dos voluntários no domingo?

-- Sim, posso.

-- Sabe como é, a verba que mandam para a campanha nunca incluí o lanche das pessoas que deixam o domingo de sol para prestar serviços para a comunidade. Eu me viro e peço a ajuda de alguns comerciantes, para pelo menos termos um pão com mortadela e refrigerante no fim do dia.

--Entendo... a verba nunca é suficiente. Se já não é pra educação e nem pra segurança, imagino para o setor de zoonose.

-- O problema desse país é a superfaturação, o desvio de verba. A gente se vira com o que tem, faz sempre o melhor que pode. O dinheiro vem do Ministério, passa pelo Estado, passa pelo município, cada esfera 'tira o seu'. Se não fosse isso não viveríamos no aperto, fazendo malabarismo com o que sobra.

--É verdade.... Pode deixar que eu divulgo o nome dos comércios que ajudaram.



Desvio de verba,
desvio de idéia,
desvio de ação.

Ninguém nunca rouba,
a gratificação que é boa,
não existe ladrão.

Se a verba não chega é porque ela se perdeu.
Quem tem culpa se o caminho é que é longo,
se não se respeitam os sonhos,
nem o que é meu e o que é seu.

A culpa é de quem,
se as mãos que repartem
são sempre as mais hábeis
e eleitas pela multidão?

Com metade daquilo
a gente arruma isso
deixa o fim pro início
e espera a mágica da colaboração.

Gentilezas à parte,
quem acredita faz malabáres,
transformando o que sobra,
inventando manobras,
um verdadeiro milagre da multiplicação.

O pão é dado pela metade,
a fila é que continua inteira.
O hospital é feito de brincadeira.
As crianças nascem quase por bobeira.
E a maioria fazendo besteira,

esquecendo o nariz de palhaço
deslumbrada com o fino-trato
dos 'ilustres cidadãos',
Sem meias palavras, esses dizem: 'tudo pela nação'.