quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Desvios

Campanha Anti Rábica 2007 vacina
mais de 12.000 cães contra a raiva

Em entrevista com o responsável pela campanha, que é o diretor do setor de zoonose da cidade, o assunto tratado trouxe à tona mais do que as simples estatísticas e informações sobre os resultados da campanha.
Sim, cães e gatos foram devidamente vacinados. Uma equipe de estudantes de veterinária aplicou, vonluntariamente, as doses nos animais. Em meio a movimentação de bichos e pessoas, nenhum incidente ocorreu.
O que há de interessante nas palavras do entrevistado então?
Um inusitado pedido, transformado em desabafo:

-- Será que a srta. não pode me fazer o favor de divulgar o nome dos estabelecimentos que contribuíram para a confraternização dos voluntários no domingo?

-- Sim, posso.

-- Sabe como é, a verba que mandam para a campanha nunca incluí o lanche das pessoas que deixam o domingo de sol para prestar serviços para a comunidade. Eu me viro e peço a ajuda de alguns comerciantes, para pelo menos termos um pão com mortadela e refrigerante no fim do dia.

--Entendo... a verba nunca é suficiente. Se já não é pra educação e nem pra segurança, imagino para o setor de zoonose.

-- O problema desse país é a superfaturação, o desvio de verba. A gente se vira com o que tem, faz sempre o melhor que pode. O dinheiro vem do Ministério, passa pelo Estado, passa pelo município, cada esfera 'tira o seu'. Se não fosse isso não viveríamos no aperto, fazendo malabarismo com o que sobra.

--É verdade.... Pode deixar que eu divulgo o nome dos comércios que ajudaram.



Desvio de verba,
desvio de idéia,
desvio de ação.

Ninguém nunca rouba,
a gratificação que é boa,
não existe ladrão.

Se a verba não chega é porque ela se perdeu.
Quem tem culpa se o caminho é que é longo,
se não se respeitam os sonhos,
nem o que é meu e o que é seu.

A culpa é de quem,
se as mãos que repartem
são sempre as mais hábeis
e eleitas pela multidão?

Com metade daquilo
a gente arruma isso
deixa o fim pro início
e espera a mágica da colaboração.

Gentilezas à parte,
quem acredita faz malabáres,
transformando o que sobra,
inventando manobras,
um verdadeiro milagre da multiplicação.

O pão é dado pela metade,
a fila é que continua inteira.
O hospital é feito de brincadeira.
As crianças nascem quase por bobeira.
E a maioria fazendo besteira,

esquecendo o nariz de palhaço
deslumbrada com o fino-trato
dos 'ilustres cidadãos',
Sem meias palavras, esses dizem: 'tudo pela nação'.