
Leide Barroso de Souza tem 29 anos, é casada e mãe de um filho.
Bastante ativa, ela era operadora de telemarketing em Guarulhos quando viu sua rotina ser drasticamente alterada por conta de uma doença que, em 02 meses, a deixou paraplégica.
Leide é portadora de Miopatia, que é uma doença neuromuscular hereditária e congênita que causa fraqueza muscular, geralmente de gravidade variável.
Apesar das dificuldades que enfrenta, por morar num local bastante precário e inacessível, ela tem a esperança de que pode melhorar suas condições de vida.
Com planos de trabalhar e sobreviver do artesanato, atividade que ela já pratica através da confecção de crochês e panos de prato, Leide conta que a renda familiar é conquistada através de ‘bicos’ que seu marido faz. Ela e João são caseiros há mais de dez anos e residem no bairro dos Correas.
A casa onde eles moram fica num declínio tão acentuado que os veículos precisam parar na metade do morro que dá acesso ao seu lar. Dificilmente os carros conseguem subir a ladeira depois. Aliás, o único carro com o qual ela conta para se deslocar é a ambulância municipal. Ou seja, Leide só saí de casa quando precisa ir ao médico.
Duas vezes por semana Leide vai para a AACD, onde faz fisioterapia e hidroginástica. A ambulância chega e seu marido carrega morro acima os 99 kg, que são a soma do peso de Leide e o de sua cadeira de rodas. Uma de suas grandes dificuldades é justamente a de ser levada até o veículo.
No último domingo, dia 21, ela passou mal e, pela primeira vez, a solicitação de seu marido por uma ambulância não foi atendida. Leide reconhece que, apesar do atendimento telefônico não ser dos mais simpáticos, ela vê o esforço do motorista e de algumas outras pessoas que tentam ajudá-la.
Com o intuito de reivindicar melhorias para os deficientes físicos da cidade e para os moradores do bairro dos Correas, Leide procurou a estagiária [que vos narra] e expôs sua história para ilustrar como é o cotidiano de uma pessoa portadora de necessidades especiais.
Em uma carta, que ainda não foi destinada, ela desabafa o quanto é difícil lidar com a falta de acessibilidade e com a intolerância dos condutores de veículos que a desrespeitam por conta da vagarosidade do seu deslocamento nas ruas.
“Quero ter o direito de ir e vir, mas aqui não há transporte adaptado para os deficientes. Ando disputando lugar com os carros, as calçadas não tem condições e os motoristas buzinam muito e freiam em cima da cadeira, uma total falta de respeito. Peço também uma atenção especial ao Pronto Socorro Municipal, que ainda não conta com banheiros adaptados. Assim como eu, outras pessoas podem se sentir constrangidas ao não poderem adentrar em um banheiro público” .
Na carta, Leide também cita a iluminação pública do bairro. Ela diz que à noite não há segurança alguma e os moradores ficam temerosos em razão da falta de iluminação.
“Sei de um programa de implantação de serviços de iluminação, mas até hoje não tivemos novidades por aqui e ainda não sabemos se nosso bairro está incluso nesse projeto”, afirmou.
Leide conta que recebe ajuda do Assistência Social e que algumas pessoas demonstraram boa vontade em ampará-la. “Ainda preciso de ajuda para melhorar minhas condições. Quero construir minha casinha na parte de cima do terreno, mas não tenho como bancar o material de construção”.
Ela explica que só o fato de poder observar o movimento da rua, da parte de cima do local onde mora, já a deixaria mais contente.
Apesar dos médicos diagnosticarem que seu quadro é irreversível, Leide afirma categoricamente que vai superar o problema.
“Faz apenas dois anos que estou nesse estado. Tudo ainda é recente para mim, mas minha fé me mantém esperançosa. Ontem consegui dar três passos com o auxílio do meu marido e sei que, mesmo com o que os médicos dizem, sou capaz de voltar a andar. Tenho muitos planos pela frente”, declara Leide, minutos antes de mostrar os panos de prato que está tentando comercializar.