terça-feira, 2 de outubro de 2007

Doze Minutos, início da entrevista




Doze minutos. Após uma semana inteira planejando aquela que seria uma das entrevistas mais interessantes dos últimos tempos, pelo menos para mim, consegui a façanha de me atrasar em doze minutos para o encontro com Darwin.

Normalmente os entrevistados, principalmente quando mais experientes, não são tão compreensivos com as pequenas falhas de um pretenso jornalista. Mas neste caso o entrevistado conhece bem a rotina imprevisível e repleta de acasos a que está submetido um operário da informação. Por outro lado, além de jornalista, Darwin Moreira é editor. Cada minuto é um acontecimento e eu o fiz perder doze.

Chegando ao Shopping de Mogi, também me perturba o fato de não saber o que fazer com o guarda-chuva que carrego nas mãos e isso começa a me incomodar. O tempo estava nublado, como diria o metereologista, propenso à pancadas de chuva. Mas a chuva não veio e lá estava eu com um enorme guarda-chuva procurando o Café do Ponto, onde deveríamos nos encontrar.

Um casal, dois senhores e uma mulher com uma criança. Nenhuma dessas pessoas parecia com Darwin. Por um momento pensei que meu atraso tinha arruinado a entrevista. Meus olhos angustiados percorreram o longo corredor que levava à entrada do shopping. Foram cinco minutos especulando o que teria acontecido e observando atentamente a entrada e saída de pessoas estranhas. Quinze minutos e nada. E agora Nadja? Como fazer uma entrevista sem o entrevistado?

Olho para o celular e penso em ir embora. Já se foram vinte minutos. Eis que, no meio de tanta gente, o senhor de cabelos grisalhos chama minha atenção. É Darwin que, com um olhar apressado e um sorriso entreaberto, caminha em minha direção. Ao se aproximar, vejo que ele também carrega um notável guarda-chuva.

- Não era para estar chovendo? Pergunta ele, enquanto puxa uma cadeira para sentar. Objetivo, ele quer saber exatamente qual é o assunto da entrevista. Estranho, diz ele, é a primeira vez que eu sou a pauta. A primeira pergunta é sobre como surgiu seu interesse pelo jornalismo. Darwin se inclina levemente da cadeira para responder. Com um tom mais grave e alto, ele parece querer compartilhar sua história com os demais clientes da cafeteira. O começo da paixão tem nome e data. No dia 30 de outubro de 1938 o radialista Orson Welles anuncia que marcianos estão invadindo a Terra.

- Quando soube dessa história maluca, pouco tempo depois, fiquei impactado com o poder da mídia. Foi uma notícia fantasiosa que, dita com um ar de seriedade, se espalhou por todos os cantos e fez com que as pessoas parassem suas atividades cotidianas e se preocupassem com os últimos minutos de vida. Pensei comigo, se uma notícia irreal consegue influenciar e causar todo esse choque, imagine como não seria uma informação verdadeira e realmente relevante para as pessoas. Passei a perceber o quanto estamos ligados e dependentes da informação.

Formado pela PUC (Pontifícia Universidade Católica), Darwin lembra com nostalgia os tempos da faculdade. Além das vertentes do jornalismo, as aulas tratavam de questões políticas, sociais e tantos outros temas que o fascinavam.

- Com o tempo a gente perde um pouco todo aquele ‘idealismo juvenil’, mas ainda sinto paixão pela profissão e sei que não estaria realizado em qualquer outra área. Ele acrescenta que depois de formado, sua ida de São Paulo para Mogi das Cruzes proporcionou um bem quase sempre inalcançável pela maioria dos jornalistas. Darwin conseguiu aliar a correria de uma redação de jornal com o tempo para cuidar da casa e da família.

Há 23 anos no Diário de Mogi, ele acredita que os jornais de São Paulo exigem uma dedicação quase que integral à profissão, fato que o motivou a procurar uma cidade um pouco menos turbulenta para trabalhar.

A entrevista continua.....

Um comentário:

Anônimo disse...

o que eu estava procurando, obrigado