sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Mulher é estuprada próximo à passarela da Dutra

A notícia...

Ao atravessar uma passarela próximo ao km. 203, na Rodovia Presidente Dutra, M. M. F.B., de 32 anos, foi surpreendida por um homem que anunciou o assalto. Ele a levou perto de uma ribanceira e adentrou em um matagal, onde subtraiu da vítima sua carteira, os documentos, a quantia de R$ 26,00 e um celular Motorola.
Após ameaçá-la de morte, ele disse que “ainda não tinha terminado”. O acusado obrigou que M. M. F.B deitasse no solo e praticou o estupro. O desconhecido ordenou que vítima permanecesse no lugar por mais dez minutos para que ele fugisse do local. Ele ameaçou matá-la caso esboçasse qualquer reação e depois fugiu.
A vítima foi ao Pronto Socorro onde foi medicada e posteriormente liberada. Ela e sua família foram ao DP, onde o escrivão elaborou o boletim de ocorrência. A vítima informou que o estuprador é magro, tem a pele parda e cabelo curto.


A reflexão ...

Tem dias em que não há refúgio e nem poesia
Não há alívio e nem alegria
Nem mesmo a paz das melodias

Tudo reflete hipocrisia,
Descontrole,
Mesquinharia.

A maldade que assusta,
a ganância que acusa
e a vida cada dia mais injusta

O bem se perde,
o bom desfalece,
e a podridão prossegue...

Teu idealismo perde a crença.

Começas a enxergar com indiferança
e deixas de ter fé na benevolência.


Primitivismo, pensamento político, despreparo e vício.

Melhor encerrar antes que sem mim se encerre.

Meu ideal é minha prece...




quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Cotidiano: a notícia não espera (cont. da entrevista)


Trabalhar na editoria de cotidiano não foi exatamente uma opção para Darwin. As redações pequenas exigem que o jornalista seja uma espécie de “clínico geral”, cobrindo tudo o que acontece e dando prioridade para os fatos novos. Ou seja, as notícias do cotidiano são, quase sempre, o filé do jornalismo regional.


Os problemas da comunidade local acabam se tornando a pauta mais importante do impresso, porque a população dialoga com as autoridades através do jornal, fazendo dele um salutar instrumento de reivindicação social. Expondo seus problemas na mídia, o povo consegue conquistar a atenção dos órgãos competentes, assim como dos ilustres políticos. Talvez isso, diz Darwin, seja reflexo da dificuldade que as pessoas encontram para conversar com os representantes do poder público. Elas vêem autoridades inacessíveis e logo recorrem aos jornalistas, sempre sedentos por informação.


Diante disso, perguntei a Darwin: - Se ambos, jornalista e comunidade, são beneficiados com a situação, há algum problema nisso?


- Certamente não, diz ele, com uma expressão de quem está refletindo interiormente. Não, desde que o jornalista saiba cumprir com seu papel sem usar de elementos que ferem a ética, como o sensacionalismo, completa Darwin. Fatos cotidianos são sim impactantes, mas a notícia muitas vezes é transformada em espetáculo. Isso empobrece drasticamente a classe profissional e os veículos.


Ele diz ainda que, na maioria dos casos, o cotidiano do jornalista acaba se confundindo com o cotidiano da cidade ou região em que ele trabalha. É difícil dar uma noticia negativa, por exemplo, sem ficar impactado ou constrangido. Darwin diz que na área de cotidiano, em que é preciso lidar com crimes, acidentes, histórias pitorescas e situações comovedoras, o maior desafio do jornalista é justamente o de manter uma postura racional diante de um turbilhão de sentimentos, fatos e possibilidades.


- São tantas coisas, acontecendo ao mesmo tempo, que, às vezes, você se sente no olho do furacão. É uma grande dificuldade chegar em casa e ‘desligar’, ou seja, parar de pensar em tudo que você fez e ainda tem que fazer. Se você vai fundo numa história, acaba fazendo parte dela, compartilhando os mesmos sentimentos dos seus protagonistas, a mesma ansiedade. A razão é a única coisa que te prende ao chão.


Darwin acredita que é possível fazer uma analogia entre o trabalho do jornalista e de um detetive. Para eles, a vida é uma constante mudança. Ambos dormem e acordam com nomes, dados e rostos que, num primeiro momento, parecem estranhos, mas que com o tempo formam um mosaico que pode revelar muitas coisas. Ao jornalista cabe encaixar as peças sem, contudo, interferir no quebra-cabeça.


- O jornalista é o historiador do presente, alguém que busca respostas ontem para informar amanhã. Poucas pessoas conseguem imaginar nossos dias. Eu, por exemplo, posso começar meu dia numa programação cultural no aniversário da cidade e terminar cobrindo algum acidente na Mogi-Dutra. Mas não podemos fugir. Em certos casos todo mundo pode fugir, mas o jornalista tem que ir. Como tem que ir o perito do IML, o padre ou o detetive. Um perícia, o outro consola, aquele investiga e o jornalista publica.


O celular toca e ele, com um olhar de impaciência, diz que precisa ir embora.

- Melhor ir logo, a gente nunca sabe o que vai acontecer. A notícia não espera.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Doze Minutos, início da entrevista




Doze minutos. Após uma semana inteira planejando aquela que seria uma das entrevistas mais interessantes dos últimos tempos, pelo menos para mim, consegui a façanha de me atrasar em doze minutos para o encontro com Darwin.

Normalmente os entrevistados, principalmente quando mais experientes, não são tão compreensivos com as pequenas falhas de um pretenso jornalista. Mas neste caso o entrevistado conhece bem a rotina imprevisível e repleta de acasos a que está submetido um operário da informação. Por outro lado, além de jornalista, Darwin Moreira é editor. Cada minuto é um acontecimento e eu o fiz perder doze.

Chegando ao Shopping de Mogi, também me perturba o fato de não saber o que fazer com o guarda-chuva que carrego nas mãos e isso começa a me incomodar. O tempo estava nublado, como diria o metereologista, propenso à pancadas de chuva. Mas a chuva não veio e lá estava eu com um enorme guarda-chuva procurando o Café do Ponto, onde deveríamos nos encontrar.

Um casal, dois senhores e uma mulher com uma criança. Nenhuma dessas pessoas parecia com Darwin. Por um momento pensei que meu atraso tinha arruinado a entrevista. Meus olhos angustiados percorreram o longo corredor que levava à entrada do shopping. Foram cinco minutos especulando o que teria acontecido e observando atentamente a entrada e saída de pessoas estranhas. Quinze minutos e nada. E agora Nadja? Como fazer uma entrevista sem o entrevistado?

Olho para o celular e penso em ir embora. Já se foram vinte minutos. Eis que, no meio de tanta gente, o senhor de cabelos grisalhos chama minha atenção. É Darwin que, com um olhar apressado e um sorriso entreaberto, caminha em minha direção. Ao se aproximar, vejo que ele também carrega um notável guarda-chuva.

- Não era para estar chovendo? Pergunta ele, enquanto puxa uma cadeira para sentar. Objetivo, ele quer saber exatamente qual é o assunto da entrevista. Estranho, diz ele, é a primeira vez que eu sou a pauta. A primeira pergunta é sobre como surgiu seu interesse pelo jornalismo. Darwin se inclina levemente da cadeira para responder. Com um tom mais grave e alto, ele parece querer compartilhar sua história com os demais clientes da cafeteira. O começo da paixão tem nome e data. No dia 30 de outubro de 1938 o radialista Orson Welles anuncia que marcianos estão invadindo a Terra.

- Quando soube dessa história maluca, pouco tempo depois, fiquei impactado com o poder da mídia. Foi uma notícia fantasiosa que, dita com um ar de seriedade, se espalhou por todos os cantos e fez com que as pessoas parassem suas atividades cotidianas e se preocupassem com os últimos minutos de vida. Pensei comigo, se uma notícia irreal consegue influenciar e causar todo esse choque, imagine como não seria uma informação verdadeira e realmente relevante para as pessoas. Passei a perceber o quanto estamos ligados e dependentes da informação.

Formado pela PUC (Pontifícia Universidade Católica), Darwin lembra com nostalgia os tempos da faculdade. Além das vertentes do jornalismo, as aulas tratavam de questões políticas, sociais e tantos outros temas que o fascinavam.

- Com o tempo a gente perde um pouco todo aquele ‘idealismo juvenil’, mas ainda sinto paixão pela profissão e sei que não estaria realizado em qualquer outra área. Ele acrescenta que depois de formado, sua ida de São Paulo para Mogi das Cruzes proporcionou um bem quase sempre inalcançável pela maioria dos jornalistas. Darwin conseguiu aliar a correria de uma redação de jornal com o tempo para cuidar da casa e da família.

Há 23 anos no Diário de Mogi, ele acredita que os jornais de São Paulo exigem uma dedicação quase que integral à profissão, fato que o motivou a procurar uma cidade um pouco menos turbulenta para trabalhar.

A entrevista continua.....