
Daqui alguns dias é 08 de março, dia Internacional da Mulher. Uma data em que no mundo inteiro nós, mulheres, somos lembradas, homenageadas e ‘bem ditas’. Nessas 24 horas são deixadas de lado todas as controvérsias do sexo frágil, todas aquelas insinuações de que a força masculina ainda prevalece sobre a capacidade intelectual da mulher e, no decorrer do dia, somos bombardeadas com felicitações, palavras dóceis, frases de efeito e poemas de lirismo quase surreal.
Há o que comemorar? Sim, houve uma evolução significativa no papel da mulher na sociedade. Mas ainda assim, além das dificuldades (resultantes de uma acumulação de funções: profissional, mãe, esposa, amiga, etc) e barreiras morais, existe uma acomodação de uma parcela feminina que não faz uso de senso crítico próprio, que não questiona a associação de mulher com objeto e, pior, não percebe que sua história tem mais valor que a de que qualquer novela da Globo.
É lamentável que essa evolução da mulher não tenha ocorrido, também, na mentalidade daquelas que ainda se vêem aprisionadas a uma limitação de ações e idéias, apenas por serem mulheres. Apenas por serem mulheres? É justamente isso que deveria estimulá-las a lutar e persistir, afinal, somos nós quem sofremos a dor do parto e nem por isso deixamos de procriar. Os homens seriam os responsáveis por uma diminuição catastrófica da taxa de natalidade no mundo caso essa tarefa fosse atribuída a eles. Contudo, é irônico observar, por exemplo, a pequena participação feminina no cenário político, esportivo e em tantas outras áreas que ainda são prioritariamente para homens.
A vida de uma mulher é preciosa demais para ser reduzida a um dia e complexa o suficiente para ser estrela apenas em comerciais de cerveja. Infinitamente forte para se deixar levar por conversinhas fúteis e palavras autoritárias e, portanto, mais importante que a vida dos BBB´s. Merecemos ou não nos valorizarmos mais? A garra daquelas corajosas mulheres de 1857, mortas por reivindicarem seus direitos trabalhistas, serviu de inspiração para o “Dia da Mulher”, mas, infelizmente, essa força feminina parece estar em extinção.
Pagú
Rita Lee / Zélia Duncan
Mexo, remexo na inquisição.
Só quem já morreu na fogueira,
sabe o que é ser carvão.
Eu sou pau pra toda obra,
Deus dá asas à minha cobra.
Minha força não é bruta,
não sou freira nem sou puta.
Nem toda feiticeira é corcunda,
nem toda brasileira é bunda.
Meu peito não é de silicone,
sou mais macho que muito homem.
Sou rainha do meu tanque,
sou pagu indignada no palanque.
Fama de porra-louca, tudo bem,
minha mãe é Maria ninguém.
Não sou atriz, modelo, dançarina.
Meu buraco é mais em cima.
5 comentários:
Esse texto eu conheço, senhora "Eu não sei quem é Pagú"!!! hahahahahah
muy bueno!!! Parbéns Nadja, seu blog está sensacional, há grande altura de uma profissional que está com a carreira em constante crescimento.
Abração, Ivan.
Olá Nadja!! Há quanto tempo não passamos horas no msn discutindo política as 3:00 da manhã? rs. Queria parabenizá-la pelo seu trabalho. Gostei do tópico sobre os motoboys. É ótimo ver pessoas buscando caminhos que não a do senso comum e muito menos da ideologia dominante tão impregnada pelos mídias! Continue assim! AH! e adorei o tópico no qual você fala a respeito das pessoas em achar que o "bonito" é aparecer na rede globo... DEUS ME LIVRE...aquilo é o fim de carreira para qualquer jornalista que tem alguma decência intelectual!!
ABraços!!
Olha que legal,
eu acho que tem que comemorar o dia sim, mas como vc mesma disse é falsidade vc dar flores num dia e no outro continuar a tratá-las como se fossem seres inferiores. A Rita Lee mandou muito bem nessa letra.
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