segunda-feira, 3 de março de 2008

Complexo de Pagú



Daqui alguns dias é 08 de março, dia Internacional da Mulher. Uma data em que no mundo inteiro nós, mulheres, somos lembradas, homenageadas e ‘bem ditas’. Nessas 24 horas são deixadas de lado todas as controvérsias do sexo frágil, todas aquelas insinuações de que a força masculina ainda prevalece sobre a capacidade intelectual da mulher e, no decorrer do dia, somos bombardeadas com felicitações, palavras dóceis, frases de efeito e poemas de lirismo quase surreal.

Há o que comemorar? Sim, houve uma evolução significativa no papel da mulher na sociedade. Mas ainda assim, além das dificuldades (resultantes de uma acumulação de funções: profissional, mãe, esposa, amiga, etc) e barreiras morais, existe uma acomodação de uma parcela feminina que não faz uso de senso crítico próprio, que não questiona a associação de mulher com objeto e, pior, não percebe que sua história tem mais valor que a de que qualquer novela da Globo.

É lamentável que essa evolução da mulher não tenha ocorrido, também, na mentalidade daquelas que ainda se vêem aprisionadas a uma limitação de ações e idéias, apenas por serem mulheres. Apenas por serem mulheres? É justamente isso que deveria estimulá-las a lutar e persistir, afinal, somos nós quem sofremos a dor do parto e nem por isso deixamos de procriar. Os homens seriam os responsáveis por uma diminuição catastrófica da taxa de natalidade no mundo caso essa tarefa fosse atribuída a eles. Contudo, é irônico observar, por exemplo, a pequena participação feminina no cenário político, esportivo e em tantas outras áreas que ainda são prioritariamente para homens.

A vida de uma mulher é preciosa demais para ser reduzida a um dia e complexa o suficiente para ser estrela apenas em comerciais de cerveja. Infinitamente forte para se deixar levar por conversinhas fúteis e palavras autoritárias e, portanto, mais importante que a vida dos BBB´s. Merecemos ou não nos valorizarmos mais? A garra daquelas corajosas mulheres de 1857, mortas por reivindicarem seus direitos trabalhistas, serviu de inspiração para o “Dia da Mulher”, mas, infelizmente, essa força feminina parece estar em extinção.





Pagú

Rita Lee / Zélia Duncan



Mexo, remexo na inquisição.
Só quem já morreu na fogueira,
sabe o que é ser carvão.
Eu sou pau pra toda obra,
Deus dá asas à minha cobra.
Minha força não é bruta,
não sou freira nem sou puta.

Nem toda feiticeira é corcunda,
nem toda brasileira é bunda.
Meu peito não é de silicone,
sou mais macho que muito homem.

Sou rainha do meu tanque,
sou pagu indignada no palanque.
Fama de porra-louca, tudo bem,
minha mãe é Maria ninguém.
Não sou atriz, modelo, dançarina.
Meu buraco é mais em cima.

5 comentários:

Unknown disse...

Esse texto eu conheço, senhora "Eu não sei quem é Pagú"!!! hahahahahah

Anônimo disse...

muy bueno!!! Parbéns Nadja, seu blog está sensacional, há grande altura de uma profissional que está com a carreira em constante crescimento.

Abração, Ivan.

Michael Haro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Michael Haro disse...

Olá Nadja!! Há quanto tempo não passamos horas no msn discutindo política as 3:00 da manhã? rs. Queria parabenizá-la pelo seu trabalho. Gostei do tópico sobre os motoboys. É ótimo ver pessoas buscando caminhos que não a do senso comum e muito menos da ideologia dominante tão impregnada pelos mídias! Continue assim! AH! e adorei o tópico no qual você fala a respeito das pessoas em achar que o "bonito" é aparecer na rede globo... DEUS ME LIVRE...aquilo é o fim de carreira para qualquer jornalista que tem alguma decência intelectual!!
ABraços!!

Conrado AtalhoS disse...

Olha que legal,
eu acho que tem que comemorar o dia sim, mas como vc mesma disse é falsidade vc dar flores num dia e no outro continuar a tratá-las como se fossem seres inferiores. A Rita Lee mandou muito bem nessa letra.